quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Preciso de coragem



Preciso de coragem...
Coragem pra virar a página
Coragem pra chutar o balde
Coragem pra desprezar o que me faz mal
Coragem pra botar o medo pra correr
Coragem pra chorar
Coragem pra rir

Preciso de coragem...
Coragem pra sentir dor
Coragem pra acreditar
Coragem pra desacreditar
Coragem pra ter coragem
Coragem pra não ter coragem

Preciso de coragem
Coragem pra viver
Coragem pra sobreviver
Coragem pra resistir
Coragem pra desistir
Coragem pra me lançar
Coragem pra me aquietar

Preciso de coragem
Coragem pra prosseguir
Coragem pra parar
Coragem pra correr
Coragem pra respirar
Coragem 
Coragem
Coragem

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Um encontro com a dor


Entendiada, bateu a porta atrás de si e caminhou até o portão preto.
Olhou pra rua e deu um suspiro. Um ou outro caminhava por ali.
Deu um passo pra chegar até a calçada e subiu no muro azul bebê. A tinta já estava descascando e o cinza tímido dava o ar de sua graça entre as pernas da menina.
O vento brincava com seus cabelos, mas ela não queria brincar. Fez um rabo de cavalo, cruzou os pés e pousou as mãos no muro, ao lado de seu corpo e suspirou.
Deixou seu olhar se perder no fim da rua até que percebeu olhar uma casa branquinha com a porta de madeira e uma janela aberta que parecia ser uma tela de cinema.

A mãe amamentava o bebê enquanto buscava uma posição melhor na cama. Quando uma criança surge correndo e pula na cama. Era um garotinho que beijava o rosto da mãe e acariciava a cabeça do bebê.

Uma lágrima surgiu...
A saudade bateu forte.
Não. Não podia estar acontecendo.
Ela tinha decidido não se entregar a angústia.
Ela não queria saber o que era a dor da perda.
Não queria lembranças.
Não queria sentir o cheiro de lavanda que sua mãe usava após o banho da manhã.
Não queria recordar o toque das mãos em seu rosto e os braços que a acalentavam.
Não deseja ouvir nunca mais as canções que ouvia quando era pequena. Embora ainda fosse tão menina.

De um salto seus pés tocaram no chão com firmeza e correram pela rua sem destino.
O choro foi mais forte que ela e sua visão ficou tão embaçada que não se deu conta que já tinha entrado na casinha branca que ficava distante de sua casa.

Uma criança a recebe com sorriso e chama por sua mãe: "Visita, mamãe! Visita!"
A mãe surge no corredor e fecha a porta atrás de si.

A menina anestesiada e chorando não entendia o que fazia ali.
A mulher emocionada abriu os braços para recepcionar a garota que está bem a sua frente.

A menina recua.
A mulher dá um passo à frente.

A menina para.
A mulher se inclina até que seus olhos sejam o horizonte dos olhos umedecidos que estava diante de si.

-"Você não está só, querida.
Que bom que enfrentou os seus medos e a sua dor.
Que bom que veio até aqui."

-"Sinto falta dela..." - e chorou compulsivamente.

A mulher a abraça e o garotinho agarra suas pernas desejando consolá-la também.

Um minuto se transformou em eternidade.
O abraço tocou a sua alma.
Suspiro e lágrimas.

A irmã gêmea de sua mãe era a memória da dor e da tristeza, mas também, da alegria e das boas lembranças...

E tudo que restou foi a saudade...

Só a saudade...








terça-feira, 29 de julho de 2014

Sonhando sonhos sonhados

Respirou profundamente como se pudesse buscar o gosto do ar
Fechou os olhos com a força de quem quisesse esquecer o que ficou pra trás
Cerrou os lábios sabendo que qualquer palavra não teria significado nenhum
Correu com os braços abertos na escuridão procurando abraçar quem a desejasse receber
Não ouviu nada
Não havia som
Nem tom
Não havia cores
Nem sombras
Não havia vida
Não havia morte
Saltou e voou
Voou dançando com o vento
Pisou nas nuvens e mergulhou no mar
Buscou e encontrou
Abriu os olhos e o encontrou.
Acordou!

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Quando a beleza dissipa a pobreza

Uma das coisas que mais me surpreenderam quando estive no Haiti foi a alegria de um povo que, embora vivesse em uma "África Americana" não se deixava abater pela pobreza.
Em todo tempo me sentia confrontada...
Não tinham nada.
Quando digo nada é, literalmente, NADA!
O olhar dos haitianos são grandes diamantes.
A forma como cantavam foram lições diárias sobre gratidão e contentamento pra mim.
Não quero e nem preciso dizer mais nada...
Conheçam a Leonise, uma haitiana que talvez represente todo o sentimento que pousa em mim agora...